As luzes acendem e com elas vem a noite.
O sol já se pôs o céu tende a escurecer.
O canto dos pássaros na sua recolha,
O latir dos cães a dar as boas-vindas à noite.
O silencio da paisagem ao redor é enternecedor.
Sinto-me calma como hipnotizada, vagueando em serenidade por mim mesma.
A paz de espirito encontra-se agora em mim, mas como uma droga ,
posso ter a recaída do medo, da solidão, mas nestes instantes,
encontro-me calma como se nada tivesse acontecido.
Um recomeço dificil e tão dificil ele é, que para recomeçar tenho que apagar as lembranças
deixadas lá atrás. Essas lembranças que assombram o meu eu sem pedir sequer licença.
Ao longo da vida fui perdendo-me na ânsia de querer-me encontrar.
Lembro-me de ti!
Ponho-me a imaginar o que poderia ter sido ao que nada adianta, não posso mudar o que já foi.
Estou-me a descobrir. Durante muito tempo não soube de mim mesma.
Quem fui eu?
O que fiz?
A dor acompanha-me é eterna como eterna será a tua ausência enquanto eu for viva.
Culpo-me porque poderia ter seguido outros caminhos.
Instintivamente eu sabia que não era o certo a fazer, mas a sede de viver ,
a ansia da busca da outra metade para completar o meu vazio,
só fez com que eu caminha-se em ruas sem saída.
Uma união de mentira , cheio de traições , injúrias , mentiras , abandono e solidão!
Julgara eu ter naquele homem a família , que sendo só tu fazia-me tanta mas tanta falta.
Eu sei que não era boa ouvinte. Pensava que só eu tinha razão!!!
Fui por caminhos que só levaram ao descontentamento do meu ser.
Andei muitas vezes perdida sem rumo, venci-me a mim propria ,
muitas vezes pelo cansaço e no fundo salvar-me-ia apenas o teu abraço.
Quis a vida que a minha história fosse assim, em certos momentos cruel , noutras feliz até desumano.
Hoje sinto que não sei nada do que já fui :
Só tenho o sentimento de ser alguém melhor.
Onde que as janelas se abrem e as portas essas já não estão trancadas.
As emoções foram tantas, os sentimentos confusos.
No caminho do amor os espinhos tornaram-se navalhas afiadas que feriam-me ensanguentaram-me.
Hoje essas feridas são cicatrizes fechadas invisiveis a olho nu.
Histórias que marcam ficam guardadas.
Tantas vidas eu vivi sem viver, umas impostas outras que se transformaram,
pensava eu virem a ser sonhos e foram os piores pesadelos.
A escuridão não amedronta-me!
Nela encontrei durante um bom tempo a minha companhia e confidencia.
Agora deixando-a para trás, busco em mim própria a razão da luta,
pela qual o que sofri valerá a recompensa.
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